sexta-feira, 28 de setembro de 2007

quinta-feira, 27 de setembro de 2007

Eu ainda aprendo

Raramente eu consigo ser sucinto nos meus post. Sempre acabo escrevendo pra caramba...
Demoro, começo listando aquilo que não quero esquecer de mencionar. As vezes não funciona. Esqueço de listar, esqueço de escrever. (risos)
Aí vou escrevendo, reescrevendo. Releio o que escrevi, mudo a ordem dos parágrafos, reorganizo tudo. Eu realmente demoro pra escrever um post. Em geral umas duas ou três horas.
Pesquiso um pouco pra não escrever asneira. Depois vou procurar imagens ou videos pra ilustrar. Depois de postado ainda o edito uma meia dúzia de vezes...

Eu gostaria de ser mais ágil. Tenho guardada uma fila de assuntos esperando para serem postados. Mas eu ainda aprendo a ter mais destreza.

quarta-feira, 26 de setembro de 2007

Sobrevivendo no Inferno - 10 anos

Poucos que me conhecem sabem ou sequer imaginam que eu goste de um gênero musical marginal para o qual muitos torcem o nariz. Estou falando de rap. Sim, "o Marcelo gosta de rap".

A música negra tem vários galhos que formam uma bela copa, um deles é o rap.
Nascido na Jamaica em meados dos anos 60, o rap é o pé musical da cultura hip-hop alicerçada ainda pelo Grafiti nas artes plásticas e pelo Break na dança. Rhythm And Poetry. Ritmo E Poesia. O canto falado e pouco melódico de seus versos aborda as condições dos negros, a violência e a política, na maioria das vezes, desfavorável à eles. Com esta temática que aflige tantas pessoas em tantos países, o ritmo ganhou o mundo e chegou também no Brasil, em especial nas periferias das grandes cidades. Mais do arte o rap é ativismo.

Gerando pouca discordância, podemos dizer que o criador da Bossa Nova foi o João Gilberto e que seus dois maiores expoentes são Tom Jobim e Vinicius de Moraes. Analogamente é possível afirmar que o percursor do rap nacional foi o Thaíde, mas que o seu maior expoente é o grupo Racionais MC's. Mano Brown, seu vocalista, começou sua carreira após ler a biografia de Malcom X, líder negro estadosunidense.

O album mais importante do gênero é o Sobrevivendo no Inferno que está completando 10 anos. Sem estar associado a nenhuma gravadora e, com uma distribuição precária, o quarto album dos Racionais alcançou a marca de meio milhão de cópias vendidas. Esse número atraiu a atenção das grandes gravadoras e das emissoras de televisão. Avessos a exposição e ao uso que a grande mídia faria de sua imagem o grupo deixou tanto uma quanto outra a ver navios.

Em 1998 o grupo participou de um programa do horário eleitoral gratuito do então candidato Lula. Seu opositor FHC-FMI-USA, sim aquele que dizem que era sociólogo, comentou que o seu adversário chamara marginais para apoiar sua campanha. Esta é a visão que a direita e setores mais abastados da sociedade tem sobre o povo que vive na periferia. Como muito bem disse Max Gonzaga em Classe Média:

Mas eu "to nem ai"
Se o traficante é quem manda na favela
Eu não "to nem aqui"
Se morre gente ou tem enchente em Itaquera
Eu quero é que se exploda a periferia toda
Uma ocasião eu fui visitar a obra da casa que estava em construção no bairro da Saúde e ouvi o servente de pedreiro cantando a letra inteira da faixa 3 (com 8 minutos de duração - um pequeno monólogo), chamada Capítulo 4, Versículo 3 (4o. disco, faixa 3) que começa com a leitura de algumas estatísticas tristemente verdadeiras na época:

1. 60% jovens de periferia sem antecedentes criminais já sofreram violência policial.
2. A cada 4 pessoas mortas pela polícia, 3 são negras.
3. Nas universidades brasileiras apenas 2% dos alunos são negros
4. A cada 4 horas um jovem negro morre violentamente em São Paulo.

De lá pra cá pouca coisa mudou. O Jardim Ângela deixou de ocupar o primeiro lugar do ranking de bairros mais violentos do país. Não por nenhuma ação do poder público, mas sim pelo engajamento de suas comunidades. Este último, estimulado em parte pela conscientização provocada pelo movimento rap.

O Vlad é um amigo com quem eu sempre debato. Tentei introduzí-lo na cultura rap. De início ele foi refratário, como é de praxe em tudo que lhe apresento. Hoje ele também é um admirador.

Roda Viva
Na segunda-feira, dia 24 de setembro, o programa Roda Viva da TV Cultura teve no seu centro o líder dos Racinais MC's, Mano Brown. Foi a maior audiência do programa este ano. Ficando atrás apenas da Globo e Record. A entrevista duplamente morna. Pelo lado do entrevistado que se mostrou visivelmente descortável, pois sempre foi avesso à entrevistas. Seu vocabulário e modo de falar simples contrastavam com os entrevistadores, que exibiram sua pouca intimidade com o povo da periferia. Foram eles:

Maria Rita Kehl, psicanalista - gosto dela. A mais empolgada com a presença do rapper. Tem uma visão da dimensão e importância sócio-antropológica do rap.

Paulo Lins, escritor, professor de literatura e roteirista de cinema. O único que conhece a vida na perifeira.

Renato Lombardi, jornalista da TV Cultura. Pouco falou. Como trabalha com noticiário policial. Deve considerar rap coisa de bandido.

Ricardo Franca Cruz, editor-chefe da revista Rolling Stone Brasil. Quis demonstrar que conhecia. Ficou devendo.

José Nêumanne, editorialista do Jornal da Tarde e comentarista da rádio Jovem Pan e do SBT, Escroto e reacionário de plantão, levou "orelhada" (lição de moral) do entrevistado.

Paulo Lima, editor revista Trip. Sua ausência não teria sido notada.

Durante a entrevista o rapper comentou que quando viu o CEU construído na gestão Marta Suplicy lembrou-se da música Fim de Semana no Parque:

Olha só aquele clube que da hora
Olha aquela quadra, olha aquele campo, olha
Olha quanta gente
Tem sorveteria, cinema, piscina quente
...
Tem corrida de kart dá pra ver
É igualzinho o que eu vi ontem na TV
Olha só aquele clube que da hora
Olha o pretinho vendo tudo do lado de fora
Só que desta vez, o pretinho podia entrar. Seu filho inclusive, é usuário e aluno do CEU. Ele demonstrou seu inconformismo com as pessoas do bairro que deixaram de reeleger a ex-prefeita por motivos frívolos, como exemplo, a sua separação e posterior segundo casamento com um argentino. Justamente essas pessoas é que foram beneficiados por sua gestão no seu entendimento.

Diário
A música mais famosa de Sobrevivendo no Inferno é Diário de Um Detento, que retrata a vida dos presidiários e o Massacre do Carandiru ocorrido em 2 de outubro de 1992. Foi escrita pelo ex-detento Jocenir Prado que sobreviveu ao massacre e o narrou em versos:

Fleury e sua gangue
Vão nadar numa piscina de sangue
Mas quem vai acreditar no meu depoimento ?
Dia três de outubro, diário de um detento
Ou ainda com um pouco mais de lirismo por Caetano Veloso e Gilberto Gil em Haiti:

E quando ouvir o silêncio sorridente de São Paulo diante da chacina
111 presos indefesos
Mas presos são quase todos pretos
Ou quase pretos
Ou quase brancos quase pretos de tão pobres
E pobres são como podres
E todos sabem como se tratam os pretos
O video clipe, que ganhou inúmeros prémios no Video Music Brasil (VMB) da MTV, sua letra e o Livro do Dráuzio Varela, Estação Carandiru, compõe uma visão realista e humana do que é ser um presidiário no nosso país.



Por fim mais um trechinho que me lembrei de citar:

Eu me formei suspeito profissional
bacharel pós-graduado em "tomar geral"

Eu tenho um manual com os lugares, horários, de como "dar perdido".
Ai, caralho...

"prefixo da placa é MY, sentido Jaçanã, Jardim Ebron..."

Quem é preto como eu já tá ligado qual é
Nota Fiscal, RG, polícia no pé:

"escuta aqui: o primo do cunhado do meu genro é mestiço,
racismo não existe, comigo não tem disso, é pra sua segurança"

Falou, falou, deixa pra lá.
Vou escolher em qual mentira vou acreditar...


(Qual mentira vou acreditar)

quinta-feira, 20 de setembro de 2007

Meu primeiro PodCast

Eu aprendi a adicionar PodCasts no blog usando um tal de podOmatic.com.
Para a estréia, eu selecionei a interpretação livre de Antônio Abujamra - no programa Provocações da TV Cultura - para o trecho VIII - Num Meio-Dia de Fim de Primavera, do poema O Guardador de Rebanho de Fernando Pessoa, sob o heterônimo de Alberto Caieiro.

Por dois anos seguidos eu enviei o áudio desta interpretação para os meus amigos como mensagem de Natal. É um poema formidável, cuja íntegra é bem maior, além de mais ácida e árida. A leitura do Abu dispensa comentários. Espero que gostem.

Testem para ver se funciona direitinho. Se der certo, quem sabe eu mesmo não narrarei os meus próprios podcasts. Basta clicar no botãozinho Play abaixo. Reparei que as vezes é preciso clicar mais de uma vez.

quarta-feira, 19 de setembro de 2007

Não por acaso


Tempos atrás eu fui ver um filme chamado Não Por Acaso. Foi minha primeira ida ao Reserva Cultural, na Avenida Paulista. Muito legal o cinema, por sinal.

O filme é estrelado por Letícia Sabatella, Rodrigo Santoro, Leonardo Medeiros, Cassia, Kiss e com a participação da belíssima e charmosa Graziella Moretto. A Graziella merece um post. Que eu farei em breve. Afinal eu até sou "dono" de uma comunidade dedicada a ela no Orkut. Mas fica pra um outro...

Neste filme uma amiga minha chamada Nair Soares, a Nani, participa como figurante. Ela faz o papel de uma das atendententes da central da CET (Companhia de Engenharia de Tráfego) da cidade de São Paulo.

Foi muito bacana ver um rosto amigo numa telona de cinema. A mesma pessoa que bate papo com você, que você conhece, que está na sua agenda. Fiquei todo orgulhoso por ela. Mesmo tendo sido uma aparição rapidinha.

Não querendo contar o filme, que é MUITO legal e espero que vocês assistam, mas teve um trecho onde a personagem Enio (Leonardo Medeiros), que é engenheiro de tráfego começa a dar comandos para central de semáforos da CET, de maneira a gerar um congestionamento na região central da cidade. A intenção dele era deter uma pessoa (que eu não vou dizer quem é). Quando toda a região está completamente paralisada pelo tráfego monstruoso eu falei:
"Eu sabia que eles faziam isso de propósito".
Todos no cinema riram. Incluindo o bobo que vos escreve.

sexta-feira, 14 de setembro de 2007

Liturgia bovina

Sabem por que as vacas são sagradas na India?
Não?
Ora, um bicho que pega capim e transforma em picanha só pode ser sagrado.

(André Yamim, meu novo amigo, matemático, professor, aeromodelista, etc, etc, etc...)

Citação

"Se Roberto Carlos é rei, Chico Buarque é DEUS!!!"
Vanderlei Gomes, meu amigo personal trainner, refletindo sobre o compositor brasileiro após o último show no Credicard Hall.

segunda-feira, 10 de setembro de 2007

Uma cantiga

Famous Last Words
(Tears For Fears)



Uma música que ouvi hoje com especial atenção.
Gosto muito dela. Diria que tenho um carinho singular por ela. Um afeto.
Nunca fico muito tempo sem escutá-la. Indepententemente de ser do Tears For Fears, minha banda de cabeceira. Literalmente... Depois eu mostro porque é literalmente a minha banda de cabeceira... É uma letrinha até que simples. Mas que eu considero belíssima.

After the wash
Before the fire
I will decay
Melted in your arms

As the day hits the night
We will sit by candlelight
We will laugh
We will sing
"When The Saints Go Marching In"

A for a heart
B for a brain
Insects and grass
Are all that remain
When the light from above
Burns a hole straight through our love
We will laugh
We will sing
"When The Saints Go Marching In"
And we will carry war no more

All our love and all our of pain
Will be but a tune
The Sun and the Moon
The wind and the rain
Hand in hand we'll do and die
Listening to the band that made us cry
We'll have nothing to lose
We'll have nothing to gain
Just to stay this real life situation
For one last refrain

As the day hits the night
We will sit by candlelight
We will laugh
We will sing
"When The Saints Go Marching In"
And we will carry war no more

quarta-feira, 5 de setembro de 2007

Muito bem vindo


Dias atrás eu soube de um novo períodico que seria lançado no Brasil. O Le Monde Diplomatique Brasil. Uma versão brasileira do renomado veículo que trata de política internacional.

A edição é mensal com uma tiragem inicial de 40.000 exemplares.
A proposta não é ser um noticioso. Não vai abordar notícias. Mas sim TEMAS. Em especial a discussão dos cenários internacionais politico e cultural. Além de temas relacionados à democracia, economia, ciência e meio ambiente.
Fui seco na banca comprar o primeiro exemplar, muito bonito por sinal. Elegantemente diagramado e na capa uma ilustração feita por Renato Alarcão.
É muito bom ver um novo orgão de imprensa que não entre na correnteza do pensamento único assumido pelas empresas de comunicação. Hoje, quando se lê ou se assiste um jornal, quando se lê uma revista semanal tem-se a impressão de que foram produzidos por uma única pessoa.
Não pretendo assinar o Diplô, como é conhecido, assim como não assino a Caros Amigos que leio mensal e vorazmente. Gosto mesmo é de ir na banca. Vou no canto onde ficam as revistas de comunistas e compro (risos).
O destaque da primeira edição fica por conta de uma entrevista com Noam Chomsky. Discute-se principalmente os rumos da democracia americana e o poder da imprensa como fábricante de consensos através da manipulação e o seu efeito nefasto à democracia. Mencionou-se um termo que achei interessante: TINA. Palavra formada com as iniciais da expressão inglesa "There Is No Alternative" (não há alternativa), utilizada por Margaret Thatcher para proclamar o caráter inelutável do capitalismo neoliberal.
Eu ainda estou lendo. Porque, ao contrário da Folha onde tudo é transformado em Infográfico, o Le Monde tem texto e, ao que me parece, com qualidade e profundidade. Só sei que é muito saudável ver algo novo e diferenciado. Com possibilidade de pluralismo. Diferente das coberturas uníssonas de Vejas, Isto És, Estados da vida.

terça-feira, 4 de setembro de 2007

sábado, 1 de setembro de 2007