sexta-feira, 31 de agosto de 2007

Minha cor favorita

Os preparativos

Quarta de manhã, vejo que o meu amigo Nícolas Borges, jornalista do Diário de São Paulo, havia mandado uma mensagem no meu celular:

"Cara, nao sei se vc vai ler a tpo, mas o L. Colour vai tocar no Jo, daqui a pco. Ab, Nicolas"

Já era tarde demais... Droga, perdi uma apresentação dos caras... Pareceu até que eu estava adivinhando. Tanto tempo sem ouvir, quando eu retomo os CDs da banda, os caras aparecem na TV e eu não vejo. Paciência. Começo da tarde, Nícolas avisa pelo msn:

"Vai ter show dos caras no Via Funchal!"


Topei na HORA e avisei os amigos, dois deles toparam INSTANTÂNEAMENTE: Vanderlei, o personal trainer e Vlad, meu amigo polivalente. O show passou a ser um compromisso inadiável. Não há desculpas para não ir. Dane-se qualquer outro compromisso. Começamos a correria pra garantir os ingressos. No início pensamos que seria na quarta, nos enganamos, seria na quinta. Rafael, meu amigo físico, ainda tentou ir. Mas não rolou... Foi uma pena. Certamente ele curtiria DEMAIS. Além de físico ele também é guitarrista.

Nícolas se encarregou de comprar os ingressos. Inicialmente iríamos em quatro caras. Ai a Gisleine, minha amiga empresária (Fórmula Pet) e esposa do Nícolas decidiu ir também. Otimo! Mas eles iriam mais tarde. Então fomos, Vanderlei, Vlad e eu, numa ansiedade sem fim. Chegando no Via Funchal ainda encontramos o Maurício Garcia, baterista da banda Gato de Armazém (a banda de MPB do Vlad) e bancário nas horas vagas.

O cabeçudo que vos escreve esqueceu o celular no carro. Assim que chegou o Nícolas ligou e mandou mensagem. Mas o celular não conseguiu entrar no show sem ingresso... E acabou voltando para o carro. Acabamos assistindo o show sem nos encontrarmos.


O show

Eu já havia assistido um OUTRO show do Living Colour uns 12 ou 14 anos atrás. Não sei ao certo. Foi no antigo Palace (hoje, nome da empresa + Hall), também numa apresentação única, durante a turnê do album Stain. Vlad também foi naquele show. Que pra mim é inesquecível por inúmeras razões...

Começa o show, Corey Glover vai cantar, o microfone não funciona. Troca-se o microfone. O guitarrista Vernon Reid esquece a hora de entrar quando começavam a tocavar Desperate People. Eles conversam e resolvem começar o show com outra: Type (ASSISTA!!! Aqui). Tomamos uma porrada logo de cara. Pra começar. Patada de elefante mesmo! Foi de 0 a 100 em 2 segundos.


Doug Wimbish tira sons inacreditáveis de seu contrabaixo. O cara fez pacto com o diabo. Só pode.


O guitarrista Vernon Reid é um ignorante. Ele não sabe brincar. Ele tinha até um PC pros efeitos da guitarra. Ele destruía TUDO arregaçava. E no final só faltava olhar e falar: Pronto. Entendeu? Então agora repete.



Tem uma hora que o baterista sola acompanhando uma bateria eletrônica a precisão é a mesma. Só que ele pega o tempo e quebra em minúsculos pedacinhos. Eu, que já estudei bateria, apesar de não saber mais nada sei o quanto aquilo tudo é impraticável... No show ele ainda mandaria uma pegada eletrônica, só que feita à mão. E uma palhinha de samba enredo. O prato verde na foto é parte da bateria eletrônica. O Vlad disse que ele está fazendo um documentário sobre maracatu.


Corey Glover não canta. Ele sola com a voz. Parece capaz de qualquer coisa com ela. Dá notas altíssimas. Mais altas que cu de anjo. Chega a bancar o cantor gospel só pra tirar uma onda. Mas a sua voz é animal. Tem muita força. E ele a emprega pra dar a pegada Rock N' Roll à banda. E o cara me entra no palco com a camiseta do Che. Já paguei um pau só de ver.
Eu e meus amigos sempre discutimos a existência da tal presença de palco. Uns dizem que é bobagem, outros dizem que é imprescindível. Presença de palco existe, SIM: e os caras são livres docentes no assunto.


O público é predominantemente masculino. As poucas mulheres presentes acompanhavam os namorados. Pena. Podia ser mais florido. Mas tudo bem. Para elas: Glamour Boys e Love Rears Its Ugly Head, as mais conhecidinhas.
Até eu entonei um "I'm a Glamour Boy!!!". Quem vê pensa... (risos)


Nothingness
All I have to feel is my lonliness
Nothing in the attic ’cept an empty chest
And nothing lasts forever

(Nothingness)

I will never be satisfied until it ends in fire
The world spins round and round and round
My life's in pieces on the ground
Some hearts just can't be bound, no
I feel like I'm going to drown

(Never Satisfied)

Quando eles anunciaram que a próxima música seria Go Away eu não agüentei (sim, continuarei usando tremas) e gritei:

"EU VOU MORREEEEEEEER!!!"

O pessoal que estava do lado rachou o bico.
E quase morri MESMO de TANTO pular!

I see the starving Africans on TV
I feel it has nothing to do with me
I sent my twenty dollars to Live-Aid
I’ve aided my guilty conscience to go away
Now go away
Now go away
Now go away
Go away

I don’t want anybody to touch me
I think everybody has AIDS
What’s the point in caring for you?
You’re gonna die anyway

O show foi inacreditavelmente vibrante. Nunca me empolguei TANTO numa apresentação de música. Ao mesmo tempo, três amigos completamente inconformados de como era possível um show daqueles. E chegamos a conclusão: Trata-se do talento negro pra música. Indiscutívelmente.

Os três amigos chegam entao a alguns consensos:


Esta foto eu tirei. Estava MUITO perto do palco...






  • A melhor banda de Rock que existe.
  • É música de negro? É! A gente toca. Jazz, Hip Hop, Blues, Rock... Dane-se. A gente toca e BEM.
  • Seria preciso ter 4 olhos independentes para dar atenção a tudo que se passava no show.

Mandaram Elvis Is Dead. O refrão é puxado em português: "Elvis está morto! Elvis está morto!"
Ainda tiraram um barato tocando Unchained Melody. Quase morri do coração.

Elvis was a hero to most
But that's beside the point
A Black man taught him how to sing
And then he was crowned king
The pelvis of Elvis
Too dangerous for the masses
They cleaned him up and sent him to Vegas
Now the masses are his slave
Slave?
Slave
Yes, even from the grave
Elvis is dead

Cult of Personality: Corey Glover desce do palco e é carregado pelo público. Encerram o show com Sunshine of Your Love e Should I Stay or Should I Go?, nessa hora o público delira e quase se mata de TANTA empolgação. Eu me incluo nesse contingente de quase vítimas. Eu e o Vanderlei não resistimos estamos a apenas 2 fileiras do palco. Por pouco não demos a mão pro Corey Glover. Merecida tietagem. Terminado o show estou transpirando aos pingos. De tanto pular.

Foi a experiência musical mais absurda, mais vibrante e brutal que eu já tive. Indescritível, muito embora eu tenha tentado. Apresentação irretocável nem parece que foram 2 horas. A banda é impressionantemente versátil e completa. Eles gostam do Brasil. Um de seus maiores públicos é o brasileiro. Após uma temporada separados a banda voltou com o album Colideoscope, que teve participação do Lenine na produção.

No dia seguinte a apresentação será no Rio. A vontade de ir só pra assistir de novo foi grande. Tentadora.

quarta-feira, 29 de agosto de 2007

Agora eu já sei...

Costumo brincar que eu sou um cético E ateu praticante (risos).
Eu sei que é engraçado falar em praticante, mas é um pouco verdade isso. Pois eu me interesso, leio e me informo a respeito. Claro, o ceticismo não tem o caráter proselitista das religiões propriamente ditas.
Mas vejam vocês que até então eu não sabia a ORIGEM da palavra cético.
Fui descobrir hoje num artigo muito interessante (clique aqui para ler) escrito por Waldomiro José da Silva Filho que é professor do Departamento de Filosofia da UFBA.

Uma das obras que me tornou adepto dessa corrente filosófica foi o livro O Mundo Assombrado pelos Demônios de Carl Sagan.

terça-feira, 28 de agosto de 2007

CHEGOU!


Chico e Sérgio Buarque de Holanda

Chegou o DVD do Raízes do Brasil - Uma cinebiografia de Sérgio Buarque de Holanda.
Demorou, mas chegou.
Agora é só organizar os amigos (que gostem claro) pra assistir...

Veja que tolice

Aos meus amigos da TFP (Tradição, Família e Propriedade), do partido DEM (ex-PFL) tenho uma ótima notícia. As edições da Veja agora podem ser lidas na internet. Na íntegra. Não é sensacional? Só que... Claro... Com duas edições de atraso. Mas tudo bem.

Vale MUITO a pena para poder ter acesso ao mais elevado grau de jornalismo independente, apartidário, pluralista e imparcial que existe, não é mesmo?

Tem mais!!!

Agora você pode ouvir podcasts do BRILHANTE Diogo Mainardi. Todo o festival impronunciável de asneiras que ele escreve agora você pode OUVIR também.

Quanto você pagaria por isso?
Não responda ainda.

Porque você, meu amigo, minha amiga, meu irmão, minhã que mora nos Estados Unidos ou em outros confins do mundo agora não precisa se sentir ressentido, isolado. Você pode ler a VEJA DIGITAL!!! Baratinho, baratinho...



Só na Veja você vai encontrar:

Resenha sobre o livro de FHC. Aliás leia um texto excepcional feito pelo Emir Sader na época do lançamento, clicando aqui.

Defensa incondicional da ALCA. Quando todos os órgãos de imprensa até os mais podres como Estadão, O Globo e a Globo alertavam: A Alca (Aliança de Livre Comércio das Américas) é uma fria! APENAS a Veja, num ato de pioneirismo e assumindo uma posição absolutamente contra hegemônica, se posicionou a favor. Não só a favor como dizendo que era UMA LOUCURA não participarmos... A ALCA já era. Mas a Nafta saiu. Englobando o México. Para saber um pouco mais sobre os efeitos nefastos da Nafta sobre o povo mexicano recomendo a leitura do texto TAMBÉM de autoria do Emir Sader. Clique aqui.

Aliás é sabido que o governo americano (isso não é nenhuma teoria da conspiração, são informações que são de domínio público) destina uma verba para órgãos de imprensa que se posicionem, vamos assim dizer, de maneira "simpática" aos interesses americanos. Quando soube disso, tentei somar dois mais dois, mas não consegui chegar no resultado...




A nossa imprensa anda se aculturando muito, por sinal. Andam lendo Nietzsche: "Não existem fatos, apenas interpretações"

Tudo isso e muito mais em http://www.veja.com.br/

Baú de CDs

Quando eu procuro alguma coisa, raramente encontro o que estou procurando naquele momento. Mas sempre acabo por encontrar o que estava procurando há três ou quatro buscas anteriores. Foi assim que eu encontrei uma caixa com cerca de 80 CDs meus.
De alguns só restaram as caixas. Os discos se foram num furto onde se foi também o CD player do carro. Foi um reencontro muito legal com alguns albuns que estou escutando de novo esta semana.




Õ Blesq Blom é um disco dos Titãs de 1989. A meu ver é o disco mais poético dos Titãs. Ele se inicia e se encerra com vinhetas de Mauro e Quitéria que se apresentavam na Praia de Boa Viagem em Pernambuco. Ainda com a formação que incluía Arnaldo Antunes e Nando Reis. Ouvindo este disco eu me lamentei ainda mais pelo trágico acidente áreo que ceifou a vida dos músicos remanescentes logo após o lançamento do disco Titanomaquia em 1993. Sim, porque caso vocês não saibam. Estas pessoas que hoje se apresentam como sendo os Titãs, na verdade são sósias. Sim, sósias que foram colocados para substituir os verdadeiros Titãs. Ou vocês por acaso imaginam que após uma discografia em que figuram discos do calibre de Cabeça Dinossauro (1986), Jesus Não Tem Dentes No Páis Dos Banguelas (1987) e este sobre o qual escrevo; os Titãs verdadeiros seriam capazes de lançar um disco como Domingo (1996) e toda a meia dúzia de discos tolinhos que o sucederam? Em absoluto. Tanto é que eu, que não me deixo enganar, tenho TODOS os CDs até o Titanomaquia, é claro.

Eu gostava de apelidar os meus carros. Muito embora não tenha tido TANTOS assim. E os apelidos que eu escolhia na época eram os sobrenomes de músicos que eu gostava. Antunes foi o apelido de um fusquinha 84 fafá (assim chamavam-no por causa das grandes lanternas traseiras redondas, numa alusão a anatomia da cantora). Por quatro felizes anos eu fui dono do besourinho cinza londrino.

Enfim, em Õ Blesq Bom, ou como prefiro dizer, O Bles que é Bom, eu estou contemplando versos como:

O que se vê, não se via.
O que se crê não se cria.
Medo, medo, medo, medo

Lembrei-me também da minha mãe me repreendendo por eu estar escutando Pulso:

"Credo, Marcelo, que música é essa que só fala nome de doença?"

Apreciando as Flores:

A dor vai curar essas lástimas / O soro tem gosto de lágrimas / As flores tem cheiro de morte / A dor vai fechar esses cortes / Flores / Flores / As flores de plástico não morrem



Outro que estou namorando novamente é o disco do Living Colour gravado ao vivo no Japão à época da turnê do album Stain. É um dos discos de de rock que eu mais gosto. Indiscutivelmente. Lembrei do show que fui assistir em 93 ou 94 no então Palace. Não era preciso pular no show. Você pulava MESMO não querendo... O braço do baixo do Doug Wimbish tinha tanta corda que ficou mais largo que uma tábua de bater carne. Naquele show todos os músicos fizeram mosh, que consiste em pular do palco sobre o público. Todos menos o baterista que tinha uma correntinha usada como piercing no lábio inferior. Ela seria arracanda de sua boca caso se atrevesse...
Costumo dizer que o Living Colour não é uma banda de rock. Mas sim, uma banda de música negra. Eles tocam TUDO que seja música negra, hip hop, jazz, blues, rock, reggae. Até mesmo porque, todos os integrantes são negros. A voz de Corey Glover é insana. Assim como a virtuose de todos os músicos.

Meu amigo Rafael, o Físico e professor, conta que uma vez ele estava numa loja de instrumentos musicais na Rua Teodoro Sampaio. Estava experimentando uma guitarra. No som ambiente da loja estava rolando Love Rears Its Ugly Head do Living Colour. O Rafael então passa a acompanhar o solo da música enquanto o vendedor da loja discorre sobre a falta de talento da banda. Eis que enquanto ele tocava, quem entra na loja? A banda Living Colour inteira. Os músicos em pessoa. Ele, que toca guitarra muito bem, abandona INSTANTANEAMENTE o teste do instrumento. Jamais ele iria querer ser observado e analisado pelo PRÓPRIO autor da música. Seria muito pro caminhãozinho, atesta ele.

A que eu mais gosto neste disco pelo peso de letra e da música é

GO AWAY

What is the point of suffering?
What is the purpose of joy?
Is it true that the winner dies
With the most toys?

A lifetime spent for a dollar
A lifetime twisting in pain
A lifetime gone in an hour
A lifetime playing the game

I see the starving Africans on TV
I feel it has nothing to do with me
I sent my twenty dollars to Live-Aid
I’ve aided my guilty conscience to go away


Now go away
Now go away
Now go away
Go away

I don’t want anybody to touch me
I think everybody has AIDS
What’s the point in caring for you?
You’re gonna die anyway

A lifetime searching for something
A lifetime going insane
A lifetime running from nothing
A life looking for someone to blame


O Rappa - Lado B Lado A
É o disco mais emblemático da banda. Aquele que para mim tem mais significância e significado. Lançado quando O Rappa ainda contava com a contribuição do Marcelo Yuka, hoje com a sua nova banda F.Ur.T.O. Neste disco eu me confronto com a realidade da periferia e das favelas do Rio de Janeiro. A minha visita, ainda que a trabalho, à cidade maravilhosa me fez criar uma natural empatia pelo povo carioca, pela sua simpatia e pelas mazelas a que está exposto. As músicas falam sobre o cotidiano de abandono a que as comunidades periféricas estão sujeitas.







De seu sincretismo religioso em Cristo e Oxalá

Oxalá se mostrou assim tão grande
Como um espelho colorido
Pra mostrar pro próprio Cristo como ele era mulato
Já que Deus é uma espécie de mulato
Salve, Em nome de qualquer Deus, Salve

Da violência e truculência policial em Tribunal de Rua

...O cano do fuzil, refletiu o lado ruim do Brasil / Nos olhos de quem quer / E me viu o único civil rodeado de soldados / Como seu eu fosse o culpado / No fundo querendo estar / A margem do seu pesadelo / Estar acima do biótipo suspeito / Mesmo que seja dentro de um carro importado / Com um salário suspeito / Endossando a impunidade a procura de respeito

Mas nesta hora só tem sangue quente / E quem tem costa quente / Pois nem sempre é inteligente / Peitar um fardado alucinado / Que te agride e ofende para te / Levar alguns trocados / Era só mais uma dura / Resquício de ditadura / Mostrando a mentalidade / De quem se sente autoridade / Nessa tribunal de rua.

E a melhor: Minha Alma (A Paz Que Eu não Quero)

Assistam o clipe. Pois não é clipe, não. É CINEMA mesmo. Que reproduz um episódio verídico que aconteceu numa favela do Rio.




A minha alma

Tá armada e apontada
Para cara do sossego
Pois paz sem voz
Paz sem voz
Não é paz é medo

As vezes eu falo com a vida
As vezes é ela quem diz:
Qual a paz
Que eu não quero conservar
Prá tentar ser feliz

As grades do condomínio
São prá trazer proteção
Mas também trazem a dúvida
Se é você que tá nessa prisão...

Me abrace e me dê um beijo
Faça um filho comigo
Mas não me deixe sentar
Na poltrona no dia
De domingo

Procurando novas drogas
De aluguel
Neste vídeo coagido
É pela paz
Que eu não quero seguir
Admitido...

sábado, 25 de agosto de 2007

Classe média

Esta é uma música do Max Gonzaga foi classificada para o Festival da TV Cultura - A Nova Música do Brasil. É um retrato da mentalidade da nossa classe média. Em especial da classe média paulista.



Sou classe média
Papagaio de todo telejornal
Eu acredito
Na imparcialidade da revista semanal

Sou classe média
Compro roupa e gasolina no cartão
Odeio "coletivos"
E vou de carro que comprei a prestação

Só pago impostos
Estou sempre no limite do meu cheque especial
Eu viajo pouco, no máximo um pacote cvc tri-anual

Mas eu "to nem ai"
Se o traficante é quem manda na favela
Eu não "to nem aqui"
Se morre gente ou tem enchente em Itaquera
Eu quero é que se exploda a periferia toda

Mas fico indignado com Estado quando sou incomodado
Pelo pedinte esfomeado que me estende a mão
O pára-brisa ensaboado
É camelo, biju com bala
E as peripécias do artista malabarista do farol

Mas se o assalto é em moema
O assassinato é no "jardins"
E a filha do executivo é estuprada até o fim
Aí a mídia manifesta a sua opinião regressa
De implantar pena de morte, ou reduzir a idade penal
E eu que sou bem informado concordo e faço passeata
Enquanto aumenta a audiência e a tiragem do jornal

Porque eu não "to nem ai"
Se o traficante é quem manda na favela
Eu não "to nem aqui"
Se morre gente ou tem enchente em Itaquera
Eu quero é que se exploda a periferia toda

Toda tragédia só me importa quando bate em minha porta
Porque é mais fácil condenar quem já cumpre pena de vida

Meus amigos tranqueiras...

Renato Frasnelli, meu grande amigo. Fotógrafo, jornalista e violonista talentosíssimo. Um rapaz cheio de virtudes.
Mas apesar de tantos predicados o bicho é uma tranqueira. Não vale o que o gato enterra.
Ele me deixou um comentário que fiz questão de transformar em postagem. Digam-me se tem cabimento um comentário desses. Comédia:

"Que maravilha, temos aqui um canal aberto com o Marcelão.
Finalmente ele se assumiu e abriu o seu canal, um canal de mão dupla, como não poderia deixar de ser, isso mesmo, que sai e que também entra...
Sai o que está internalizado no Marcelo, o que figura em suas entranhas e nele introduzimos o que nos convém. Podemos até meter o dedo no canal do Marcelo mas jamais ousaria meter a boca...
ADOREI!!!!! "

quarta-feira, 22 de agosto de 2007

Quando a saudade bate não tem expliKAção...

O meu amigo Nícolas (não o Cage, o Borges) que trabalha no caderno de veículos do Diário de São Paulo comentou comigo que a revista Quatro Rodas havia feito uma matéria com 5 carros esportivos nacionais. Clique aqui para ver a matéria. Entre eles estava o Ford Ka XR 1.6. Um carrinho endiabrado que eu tive do começo de 2004 até o começo de 2007. Pra um pé-de-chumbo incurável e assumido como eu o carrinho é sensacional. O meu era um xodó. Pretinho, com bancos em couro, lindinho. Bateu até uma saudade do neguinho... O meu amigo Vlad que possui uma suposta velofobia passou poucas e boas comigo dentro daquela espoleta preta.

Olha o papai dando banhinho nele...


Eu curtia TANTO o carrinho, mas TANTO que eu fiz dois comerciais independentes dele:

O primeiro:


E o segundo:


Tem também o video do teste feito pela Quatro Rodas.

Para assistí-lo, clique aqui.

Como diria Sócrates...

"Simpsoniza-te a ti próprio."
(Sócrates)

O Marcelo estilo Simpsons que vocês vêm no post abaixo foi gerado no site do filme dos Simpsons.
Para acessá-lo, clique na figura abaixo e escolha a opção crie o seu avatar dos simpsons.


Tem OUTRO site que TAMBÉM simpsoniza o sujeito ou a sujeita.
Para acessar o simpsonizeme.com clique na figura a seguir...


O simpsonizeme.com permite alguns ajustes na sua fisionomia e gera um avatar A PARTIR de uma foto sua. Eu fiquei com OUTRA cara.

Vejam só:



Como assim?



Capa da Veja.... Sempre um LIXO. Sempre partidária direitóide e sensacionalista.
Não só a capa, aliás. A revista toda é um exemplo daquilo que o José Arbex classificou como Jornalismo Canalha em seu livro homônimo.


Agora esse cantinho foi dose...
"A ELITE É O LADO BOM DO BRASIL."


Como assim? A elite é responsável por TODA a degradação histórica e atual de nossa sociedade. Pela violência. Pelo analfabetismo e toda a miséria que assola o nosso país.

Lembro-me de ter lido (perdoe-me, mas não me lembro onde) sobre um episódio quando o ex-presidente João Goulart acompanhado por Darcy Ribeiro, seu ministro chefe da casa civil, foram inaugurar uma escola modelo no nordeste baseada no método Paulo Freire. Junto a eles estava um militar que ao pé do ouvido dos dois sussurou: "Vocês estão criando cobras para picá-los depois". Após o golpe militar de 1964 o projeto foi abandonado.

Essa é a mentalidade da nossa elite. Sempre foi. E tem gente que quer defendê-la.
Vou comentar este livro à la Nelson Rodrigues: Não li e não gostei.

Para cantar esta nossa elite podre e tosca:

BURGUESIA
(Cazuza, George Israel e Ezequiel Neves)


A burguesia fede
A burguesia quer ficar rica
Enquanto houver burguesia (refrão)
Não vai haver poesia

A burguesia não tem charme nem é discreta
Com suas perucas de cabelos de boneca
A burguesia quer ser sócia do Country
A burguesia quer ir a New York fazer compras

Pobre de mim que vim do seio da burguesia
Sou rico mas não sou mesquinho
Eu também cheiro mal
Eu também cheiro mal

A burguesia tá acabando com a Barra
Afunda barcos cheios de crianças
E dormem tranqüilos
E dormem tranqüilos

Os guardanapos estão sempre limpos
As empregadas, uniformizadas
São caboclos querendo ser ingleses
São caboclos querendo ser ingleses

(refrão)

A burguesia não repara na dor
Da vendedora de chicletes
A burguesia só olha pra si
A burguesia só olha pra si
A burguesia é a direita, é a guerra

(refrão)

As pessoas vão ver que estão sendo roubadas
Vai haver uma revolução
Ao contrário da de 64
O Brasil é medroso
Vamos pegar o dinheiro roubado da burguesia
Vamos pra rua
Vamos pra rua
Vamos pra rua
Vamos pra rua
Pra rua, pra rua


Vamos acabar com a burguesia
Vamos dinamitar a burguesia
Vamos pôr a burguesia na cadeia
Numa fazenda de trabalhos forçados
Eu sou burguês, mas eu sou artista
Estou do lado do povo, do povo

(refrão)

Porcos num chiqueiro
São mais dignos que um burguês
Mas também existe o bom burguês
Que vive do seu trabalho honestamente
Mas este quer construir um país
E não abandoná-lo com uma pasta de dólares
O bom burguês é como o operário
É o médico que cobra menos pra quem não tem
E se interessa por seu povo
Em seres humanos vivendo como bichos
Tentando te enforcar na janela do carro
No sinal, no sinal
No sinal, no sinal

(refrão)

Mais sobre o "CANSEI"

Quatro ótimas charges sobre o “movimento cívico” CANSEI.



Dobrando às terças-feiras

Hoje trabalhei até as 18:00h no Morumbi. 19:30 chego em casa. Vou treinar, encontro com o Vanderlei, meu EX-personal trainner. Ex está na moda agora, aliás... É um tal de ex-namorada, ex-mulher, ex-chefe, ex-tudo. Enfim.
É... O Vanderlei, aquele mesmo... Aquele que arrancou suspiros de muitas mulheres (comprometidas e não) na minha festa de aniversário de 30 anos.
Pois bem, treinando, mas minha cabeça estava na minha vontade incontrolável de tomar um chopp.
Chamei o Vanderlei pra encarar um chopp, nada: "Vou trabalhar a manhã inteira de pé amanhã".

Já havia chamado os infalíveis Renato Frasnelli e Luiz Sena. Surpreendentemente ambos declinaram. Com Luiz ainda argumentei que ele estava muito vagabundo. Que ele tinha que se tornar um rapaz sério e parar com essa sem-vergonhice de trabalhar todo dia até tarde, de acordar cedo. Afinal ele já estava na idade de levar uma vida regrada: Boemia todo santo dia.

Não logrei êxito.

Chamei então o Luiz Freitas. Camarada de academia. O sujeito é conhecido por conseguir beber qualquer coisa na velocidade em que se entorna um copo na cuba de uma pia. Ainda gravo isso e taco no youtube. Essa foi a salvação.

Afinal, às terças-feiras, na Grande São Paulo, os bares que servem chopp Brahma tem a famigerada promoção do chopp em dobro. Toma dois, paga um. Sensacional.

Já estive com mais disposição de abrir mão dessa deliciosa facilidade em outras ocasiões, mas hoje não. Decididamente não.

Ainda bem que tive a companhia do Luiz e seus amigos que honraram mais esta terça no Liverpool em São Bernardo-SP. Dobrando os chopps.

Agora que me ocorreu: Será que tomamos um número ímpar de chopps? Céus!!!


Bar Liverpool

segunda-feira, 20 de agosto de 2007

Minha última aquisição

Acabo de comprar um DVD sensacional. Adoro comprar coisas pela internet.
O inconveniente é a espera, né? Ainda mais pra mim que sou um POÇO de ansiedade e impaciência.

Trata-se de um documentário que eu assisti na época de seu lançamento no cinema. Foi um dos pouquíssimos filmes que me fez eu quebrar a minha absoluta determinação de JAMAIS ir ao cinema sozinho.

Quando cheguei no cinema, assisti o filme, terminou eu QUASE aplaudi... As luzes se acenderam e eu já estava indo embora completamente FELIZ por ter assistido a um filme tão bom, quando uma voz no cinema admoesta:

"Senhoras e Senhores, queiram por gentileza aguardar pois após um breve intervalo retornaremos para a exibição da segunda parte do filme."

Eu já estava feliz, quando soube que tinha MAIS, fiquei mais feliz ainda.

Agora finalmente eu vou poder assistir todas as outras 275 vezes que eu sempre quis assistir. Vou ver se organizo sessões de DVD caseiras pra assistir com quem se interesse...


A sinopse do filme:

O historiador Sérgio Buarque de Holanda, retratado pelas lentes de Nelson Pereira dos Santos, vivia submerso no universo de seus livros, mas deixava a porta do escritório aberta para ouvir os ruídos da casa e as eventuais fofocas. Era extremamente dedicado ao trabalho e ao mesmo tempo adorava a boemia e um papo com os amigos. Erudito, brincalhão e devorador de livros, sua história é contada no filme pela família, amigo e através de uma cronologia que ele próprio escreveu.

Fonte: (VideoFilmes) Estou aprendendo a citar fontes...

domingo, 19 de agosto de 2007

Nos tempos de FHC eles não eram cansados...

 

 

 

Crise áerea & Bahamas

O avião derrapa...
Não freia...
Bate no prédio...
Pega fogo...
Morrem 200 pessoas...
E sabe quem vai preso?
O dono do puteiro...

Sabadão

Ontem depois de nos esbaldar no Sushi Hiroshi na hora do almoço eu e meu amigo Luiz Sena, grande diretor de imagem, fomos assistir Simpsons - O Filme.
Único seriado de TV que eu acompanho com regularidade. Gostei do filme. O desenho merecia uma versão longa. Bem produzida. O capricho do traço, os personagens sombreados e a "câmera" mais dinâmica deram um charme especial. Com direito a audio da Lucas Arts.
Cheguei a imaginar que o filme fosse ser uma versão pasteurizada do seriado. Para torná-lo mais palatável e mais vendável. Mas não achei isso, não. É bem crítico, ácido e inteligente. Como na TV aliás.


Se o Matt Groening, criador do seriado, me desenhasse hoje eu seria mais ou menos assim:

MidiaTrix Revolutions

Já faz um tempinho que eu tomei a pílula vermelha...
Atente para a legenda, não para o áudio...

Cansados

Em meio a esse amontoado de movimentos "cansados" eu vi uma campanha cujo slogan (a etimologia eu descobri hoje: do gaélico sluagh-ghairm, de sluagh 'exército, hoste' + ghairm 'grito') eu achei muito pertinente:

Quem vem com tudo não cansa:





Vamos ver o que é que isso vira...

Este é, ou pretende ser, o meu blog...

Não sei ao certo o que vou fazer dele. Em princípio acessei o Blogger apenas para poder postar em OUTROS Blogs, sem na verdade saber se isso era realmente necessário. Agora imagino que não.

Em todo caso, mesmo que ainda sem um propósito definido eu decidi criar o meu.

Afinal, eu sou TÃO "internetizado". Só faltava mesmo era ter um blog...

Talvez eu o transforme num depósito de coisas que considero interessantes, de links,
enfim...

E quem sabe então esse MONTE de coisas interessantes representariam um pouco do que eu penso. Que por sua vez e no final das contas define quem eu sou.