quinta-feira, 29 de novembro de 2007



Ando descuidando do meu blog ultimamente. Tenho deixado-o meio de lado e desatualizado. É tudo culpa do Ubuntu.

Ubuntu é um sistema operacional (o Windows é um sistema operacional também). A diferença é que o Ubuntu é um sistema operacional gratuito baseado em Linux. Não é preciso pagar para usá-lo.

Como boa parte das minhas idéias são contra-hegemônicas, o meu posicionamento em relação à informática não poderia ser diferente.

Costumo dizer que dá pra ser de esquerda até em jardinagem. Eu diria que a esquerda da informática é o software livre, de código aberto. Livre por ser gratuito e de código aberto pois quem o distribui revela a todos a "receita do bolo". Revela como o programa foi feito.

A idéia é que outras pessoas, de posse da "receita", possam melhorá-lo e passar as melhorias adiante. É o CopyLeft. A garantia de gratuidade e impossibilidade se registrar o software. A "pirataria" é incentivada neste caso. Copie, distribua.

Criado por um finlandês chamado Linus Torvalds, o Linux conta hoje com inúmeras versões, conhecidas como distribuições. O Ubuntu é uma delas.

Esses sistemas são desenvolvidos de maneira colaborativa e cooperativa em escala mundial. Isso assegura a melhoria contínua do sistema operacional. O Ubuntu em particular está "pegando" pois é a distribuição Linux mais amigável lançada até o momento. O Bill pode pagar muita gente para tentar dar jeito no seu RUIndows, mas não dá pra competir com o NÚMERO de cabeças que não desistem de fazer versões cada vez mais aprimoradas de Linux.

O uso é bem intuitivo e muitas chatices das distribuições mais antigas do Linux foram eliminadas deixando o uso ainda mais fácil para um usuário leigo.

Este post, por exemplo, foi feito num desktop rodando o tal Ubuntu.

No site
www.ubuntu.com é possível baixar um CD que, uma vez gravado, permite executar o Ubuntu sem ter que instalá-lo no micro. É o que se costuma chamar de Live CD. Claro, a partir do CD é possível instalá-lo no micro e usufruir de mais funcionalidades.

Lembro-me de ter instalado o Windows XP neste micro e de ter levado mais de 50 minutos. A do Ubuntu levou 20. E já incluiu um pacote Office chamado OpenOffice, bem completinho e que faz tudo que o MS Office faz. Terminada a instalação ele reconheceu o roteador, conseguiu acessar a internet e enxergou o meu note na rede. Vai fazer isso no XP...
E o filho da mãe ainda por cima "enxerga" TUDO que está gravado no Windows. Dá até pra rodar programas Windows através de um programinha chamado Wine.
Não precisa ter um CD Ubuntu Inglês, outro em Português. Você escolhe o idioma e ele assume o idioma.
Impressora? Não precisa instalar nada. Bastou ligar a impressora e ele informa no DeskTop: HP LaserJet 1300 Pronta. Isso sim é plug and play.

No Windows é Plug and Pray.

Ele é mais leve, exige menos recursos da máquina, é mais estável, menos vulnerável a vírus. O meu amigo advogado Fabio começou a usar a pouco tempo. E se encantou com as facilidades.
"Cliquei num link suspeito sem querer e o Ubuntu falou: É vírus, não vou executar."

Tenho me divertido TENTANDO achar coisas que eu não consiga fazer no Ubuntu. Estou aprendendo e bem entusiasmado com a possibilidade de popularização.

Vários fabricantes de computadores no Brasil já demonstraram interesse em comercializar máquinas com o Ubuntu pré instalado. Órgãos governamentais JAMAIS deveriam pagar licenças de software. Eu pagando imposto pra virar grana pro Bill Gates? Me recuso! : - )

A Microsiga lançou uma versão do seu sistema Protheus para rodar em Ubuntu. Isso eu ainda não testei. Estou me divertindo, não trabalhando...

quarta-feira, 28 de novembro de 2007

sábado, 17 de novembro de 2007

sexta-feira, 16 de novembro de 2007

Boas coisas para se ler...

Este aqui vai pra Cintia, que quando escrevi sobre o lançamento do Le Monde Diplomatique Brasil, suspirou dizendo: "Eu quero!"

Pois bem a Veja, escrota, nojenta, podre, vendida e direitóide (que resume todos os adjetivos anteriores) havia tirado do ar o acesso às suas edições. Recentemente voltou atrás e abriu o site para leitura das edições com duas semanas de atraso. Foi assim que pude ler a matéria do Che, por exemplo. Agora o Diplô também abre a sua edição da semana anterior para leitura na internet.

Fica aqui a minha dica para quem quer ler textos MUITO bem escritos e que acrescentam.



Ou se preferirem, o grupo Estado fez um convênio com a Veja e agora é possível comprar Veja + Estadão:



Até eu que não creio digo: "deus me livre!"

segunda-feira, 12 de novembro de 2007

Dark Side of the Force



Tem gente que sonha com a temporada completa de Friends, Sienfield, Lost, e não sei mais qual seriado da TV.
Eu não. Meu sonho era outro. Meu sonho era ter TODOS os filmes da saga Guerra nas Estrelas. Sexta, dia 9, esse sonho se realizou. Foi meu aniversário no dia anterior e como presente dos meus grandes amigos eu ganhei nada mais, nada menos que a saga completa.
Box contendo os Episódios IV, V e VI (este último o que deu origem à paixão) e mais um DVD de Extras. Além do Box, mais três DVDs duplos com os episódios I, II e III. Muito feliz. Fiquei MUITO feliz. Agora entrei de vez para o lado negro da força.
Agora é só organizar um fim de semana de maratona Star Wars.
Obrigado amigos!!! Que a força esteja com vocês!!!

quinta-feira, 8 de novembro de 2007

sábado, 3 de novembro de 2007

Che, segungo a Veja

"A imprensa do teu país, o Brasil, é a mais tacanha que existe."
(Gabriel García Márquez dirigindo-se a jornalista Ana Luiza Moulatlet)

Que a veja e toda a nossa imprensa é podre e escrota, isso eu já sabia. Só não podia imaginar que para exercer a sua podridão, seria capaz de abolir completamente as diretrizes mais primárias do mínimo jornalismo. Digo mínimo para não dizer bom. Não sou jornalista. Meus amigos amigos jornalistas que me corrijam, mas imagino que um bom jornalismo é pautado pela imparcialidade, apartidarismo e aquilo que julgo mais importante: pluralismo.

Nossa grande imprensa empresarial não tem nenhuma destas três características. Os grupos dos Marinho, dos Cívita e o grupo Bandeirantes são os maiores inimigos da democracia por exercerem a verdadeira "fabricação de consenso". Criticam, por exemplo, Cuba por não ter liberdade de imprensa, confundindo liberdade de imprensa, com imprensa privada e omitindo que o mesmo (ou pior) ocorre no Brasil. Pois a uniformidade é igualmente anti-democrática.

Hoje, se você lêu ou assistiu a um, leu ou assistiu a todos.

Neste ponto, costumam me cutucar dizendo que a Caros Amigos também não é imparcial. Porém na Caros Amigos eu ainda posso encontrar pluralismo. Encontro, por exemplo, numa mesma edição, ataques ferozes, contundentes e muito bem embasados (ignorados pela imprensa) ao governo do Lula e também análises e críticas positivas. O algoz é o José Arbex. A advogada do diabo é a Marilene Felinto.

Tanto o apontamento das inúmeras falhas e dos acertos não fazem parte da ladainha do PM Partido da Mídia. Não se lê, nem se ouve, nem se assiste em lugar nenhum.
Felizmente agora temos o Le Monde Diplomatique Brasil como mais uma alternativa de leitura no meio de tanto "concordismo". É curioso, aliás, observar um texto da veja sobre o Che, e um texto do Diplô sobre o Che. Um texto da veja sobre Chávez, um texto do Diplô sobre o Chávez.
A veja chega a ser caricata de tão editorialista e tendenciosa. O Diplô presa pela escuta aos estudiosos, pela divergência, traz bibliografia sobre o assunto. Enfim. É outro nível.

Enfim, a veja escutou dois historiadores para escrever a matéria. Ambos americanos.

É possível escrever uma biografia negativa sobre o Che, sim.
Assim como também é possível escrever uma biografia positiva sobre o Edir Macedo.
Como se fez recentemente.

O texto:

Ricardo Kauffmann

A abordagem da revista Veja sobre o mito e o homem Ernesto Che Guevara, no decorrer dos anos, consiste numa ótima oportunidade de observação dos movimentos da mídia. Sugiro aqui uma visita comparada a duas reportagens da publicação sobre o assunto.

Uma foi matéria de capa há duas edições, intitulada "Che: há quarenta anos morria o homem e nascia a farsa", assinada pelos jornalistas Diogo Schelp e Duda Teixeira. A outra foi publicada há dez anos, sob o título: "O triunfo final de Che".

É assinada pela então repórter da casa Dorrit Harazim. O texto está disponível atualmente no site da editora Abril na internet, no endereço: http://veja.abril.com.br/090797/p_088.html

Há congruências entre as duas reportagens. Ambas registram aniversários redondos da morte do guerrilheiro. Buscam causas para a projeção mitológica do Che. E fazem referência a algumas mesmas passagens do líder.

Terreno mais vasto, no entanto, é o das incongruências, diferenças de tratamento e visões antagônicas - a respeito do personagem central - que as duas matérias explicitam.

A atual possui caráter predominantemente dissertativo. Não identifica de onde os autores apuraram as informações, o que leva a crer que a matéria foi feita da redação. Parte de tese própria segundo a qual o mito de Che é uma farsa produzida pela "máquina de propaganda marxista", diz o texto. E se destina a comprová-la.

A de 1997 foi apurada na Bolívia e se ocupa, majoritariamente, de ouvir declarações e descrever fatos que testemunha. Parte do acompanhamento da buscas dos ossos enterrados de Che para também refletir sobre a força do maior mito latino-americano.

A Veja de 2007 entrevista seis fontes para a matéria. Todos são cubanos da Flórida, inclusive dois historiadores, um do Instituto da Memória Histórica Cubana de Miami, e o outro da Universidade de Miami.

A reportagem justifica a concentração de fontes: "o regime policialesco de Fidel Castro não permite que aqueles que conviveram com Che e permaneceram em Cuba possam ir além da cinzenta ladainha oficial". Não explica, porém, porque não foram ouvidos observadores internacionais neutros, ou companheiros de Che em campanhas fora da ilha.

Já Dorrit Harazim concentra-se nas fontes que encontra pelo caminho, nas cidades bolivianas onde Che é um ser místico, literalmente adorado como santo.
Diego Schelp e Duda Teixeira expõem diagnósticos certeiros sobre Guevara, na maioria das vezes desacompanhados da análise de qualquer fonte. Eles reduzem as origens da mitificação do argentino a três fatores ligados a alguma espécie de "sorte histórica".

São eles: a morte prematura; a ajuda involuntária de seus algozes, que conferiram ao rosto do Che defunto espantosa semelhança com as pinturas barrocas do Cristo morto; e ao contexto favorável, às vésperas dos protestos da geração de 1968.

Já a matéria anterior tem espaço para o contraditório e questões complexas, inalcançáveis por respostas simples. Ouve diversos bolivianos admiradores de Che, povo que, segundo o texto atual, "tinha raiva dele".

Um destes admiradores, ao encontrar um cubano integrante da guerrilha que então vivia na Espanha, pergunta: "Por que vocês começaram a guerrilha antes de conhecerem o terreno e estarem preparados? Mas por que, depois de tudo isso, você não vive em Cuba? - O ex-guerrilheiro ficou quieto", diz trecho de dez anos atrás.

Disparidade ainda mais gritante entre as duas matérias da mesma revista se encontra na adjetivação usada para qualificar Guevara e suas ações. "Che tem seu lugar assegurado na mesma lata de lixo onde a história arremessou há tempos outros teóricos do comunismo"; (...) "sua maníaca necessidade de matar pessoas".

Em 1997, Veja publicava: "Che empolga por ter sido um rebelde com causa, aventureiro e vagabundo, de ar atormentado e ardor revolucionário, mas sobretudo um rebelde capaz de abrir mão de tudo, especialmente do poder".

E mais: "O mito de Guevara (...) ampara-se na simplicidade, (...) e na entrega de sua vida à defesa da solidariedade e justiça social".

Che morreu há 40 anos. Nos últimos dez, nada de relevância decisiva sobre sua história foi revelado. Enquanto seu mito não pára de crescer.

No entanto, como podemos observar, a visão e os procedimentos jornalísticos que a maior e mais influente revista brasileira tem e propaga diante dos fatos mudou radicalmente no período. Sem maiores explicações ou avisos aos seus leitores.

Questão tão complexa ou simples como a da força do mito de Che é: Por que?

sexta-feira, 2 de novembro de 2007